Em tempo de advento

Como proceder para agradar

Com o tempo de Advento iniciamos este Ano Litúrgico em que decorrerá o Jubileu Extraordinário da Misericórdia para assinalar os cinquenta anos da conclusão do Segundo Concílio do Vaticano, acontecimento de capital importância para esta época da Igreja que estamos vivendo.
Vivamos este Advento caminhando na presença de Deus, procurando em cada dia e em cada circunstância fazer o que Lhe agrada. Seguramente nos surpreenderá a maior qualidade de todos os nossos relacionamentos com aqueles que nos rodeiam.
Certamente não espera encontrar aqui, caro leitor, umas dicas que o ajudem a insinuar-se e a seduzir… O título destas linhas é um convite para falarmos de algo muito sério a que, infelizmente, não é costume dar-se grande importância. Trata-se de aprender a agradar a Deus. Recorrente nas cartas de S. Paulo e em toda a Escritura, este tema é estruturante da vida daqueles que levam a sério a sua relação com o Senhor. Com o tempo do Advento iniciamos este ano Litúrgico em que decorrerá o Jubileu Extraordinário da Misericórdia para assinalar os cinquenta anos da conclusão do Segundo Concílio do Vaticano, acontecimento de capital importância para esta época da Igreja que estamos vivendo. Nesse Concílio, o Senhor mostrou mais uma vez a sua fidelidade e a sua atenção amorosa à situação da sua Igreja, preparando-a para enfrentar os desafios que lhe lança o mundo contemporâneo realizar, neste contexto, a sua missão evangelizadora. Não por acaso, as leituras da liturgia deste domingo asseguram-nos, nas palavras de Jeremias, de Paulo e do próprio Jesus, a fidelidade de Deus às suas promessas. Ele fez germinar o rebento de Jessé, o Messias filho de David, enviando-nos Jesus Cristo seu Filho, o Qual, realizando a sua missão, se tornou justiça, sabedoria, santidade e redenção para estes injustos, néscios, pecadores e escravos que nós éramos. Ele é a nossa alegria e a nossa esperança! Ele veio ao mundo e virá no fim dos tempos revestido de glória e cingido de poder para nos ressuscitar, julgar e glorificar com Ele.
Porque somos cristãos, nós amamos Jesus, acreditamos n´Ele, e aguardamos em jubilosa esperança, o cumprimento das nossas promessas. A fé, a esperança e a caridade são as três virtudes que estruturam a nossa vida neste mundo e a tornam agradável ao Senhor.

Recebestes de nós instruções sobre o modo como deveis proceder para agradar a Deus, diz-nos S. Paulo na 2ª leitura. Concretamente, em que consiste uma vida agradável a Deus? Lemos na Carta aos Hebreus (11,6) que, sem fé, é impossível agradar a Deus. E, na carta aos Romanos (8,8), os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Agrada a Deus quem acredita em Jesus e recebe o seu Espírito para poder adorá-l’O e amá-l’O sobre todas as coisas e amar o próximo. Agrada a Deus quem confia na sua providência e tudo recebe d’Ele com um coração agradecido, quem não dúvida do seu amor e aceita a cruz de cada dia, quem obedece aos seus mandamentos, quem deixa que se reproduza na sua vida a própria vida do Filho de Deus e não desiste de conhecer e de praticar a vontade do Pai. Agradam a Deus Pai aqueles em cuja vida Ele reconhece as obras de Jesus que são, em suma, as suas mesmas obras, as obras de misericórdia. Agradam ao Pai os que são misericordiosamente como Ele.

Agradam a Jesus aqueles que amam o Pai e aprendem a adorá-l’O em espírito e em verdade, aqueles que pedem e recebem o Espírito Santo. Agradam ao Espírito Santo aqueles que se afastam do pecado e transformam gradualmente as suas vidas numa liturgia de santidade e de misericórdia, aqueles que levam a sério a sua condição de membros do Corpo de Cristo e de templos vivos em que Deus é adorado e servido. Em suma, agradam a Deus os que são amigos de Deus porque O amam com todo o coração, com toda a alma e com todas as suas forças.
Vivamos este Advento caminhando na presença de Deus, procurando em cada dia e em cada circunstância fazer o que Lhe agrada. Seguramente nos surpreenderá a maior qualidade de todos os nossos relacionamentos com aqueles que nos rodeiam. Para isso retenhamos as advertências muito concretas que o Senhor nos faz no evangelho deste domingo:
- Levantemos a nossa cabeça, vivamos de cabeça erguida, firmemente apoiados na fidelidade do Senhor, em vez de nos alarmarmos com o que está acontecendo em Portugal, na Europa e no mundo;
- Tenhamos cuidado connosco mesmos para que não se tornem pesados os nosso corações pela devassidão, embriaguez e preocupações da vida presente, e cultivemos a fé, a esperança e a caridade que dão leveza aos nossos corações;
- Vigiemos e oremos para termos discernimento e serenidade e podemos manter o rumo no meio das tempestades que nos assaltam, anunciar o Evangelho da salvação e levar por diante a missão que o Senhor nos confiou. Felizes somos nós, porque nos foi revelado aquilo que agrada a Deus! (Bar.4,4) Mais felizes seremos se o pusermos em prática!

Bom Advento!
João Marcos, bispo coadjutor de Beja